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Sentimentos, Redes Sociais, Superficialidade E Sinceridade – Entrevista Com Thais Zanchettin

Sentimentos, redes sociais, superficialidade e sinceridade – Entrevista com Thais Zanchettin

Oficina gratuita: Desenvolvendo a escrita afetiva
Dia 31 de março das 19h30 às 21h, no Espaço Bambuí

Expressar sentimentos de forma autêntica e sincera com certeza não é uma tarefa simples ou fácil, já que justamente queremos oferecer o nosso melhor para quem amamos. Quem transformou este desejo em um projeto original e profundo é a jornalista Thais Zanchettin, que participa da equipe do Espaço Bambuí.

Condutora do projeto “Cartas de Amor“, no Espaço Bambuí, Thais vai ministrar uma Oficina gratuita sobre a escrita afetiva, relatando um pouco de sua experiência e ensinando como escrever com os sentimentos de forma clara e sincera. A oficina acontece no dia 31 de março, sexta-feira. Mais informações: entre em contato pelo Whatsapp 9.9975.9108, telefone 3466.5531, email espacobambui@gmail.com ou fale conosco em nossa página do FacebookEndereço: Rua Brasil 680, Canoas, próximo ao shopping Canoas.

Thais tem o seu site próprio Com Amor, que apresenta mais detalhes de seu trabalho bem como um interessante “vocabulário afetivo”. A jornalista nos concedeu uma entrevista onde ela fala sobre as dificuldades em expressar sentimentos hoje em dia, a comunicação rasa das redes sociais, como as pessoas reagem e a transformação que elas geram. Leia a entrevista abaixo!


Diante da sua experiência auxiliando as pessoas a expressar sentimentos através de cartas aos seus entes queridos, quais são as principais dificuldades? As pessoas não sabem o que sentem ou não sabem como expressar?

Thais Zanchettin, escrita de textos afetivos, projeto “Com Amor,”

O principal problema, na minha avaliação, é que para escrevermos mensagem afetuosas, que emocionem, é necessário um exercício de reflexão. Estamos acostumados com palavras fáceis, e as frases-clichê estão aqui para cumprir esse papel protocolar. Ficamos no raso, por assim dizer, também pelo momento em que vivemos: do descartável, da agilidade, da superficialidade. Somos cobrados pela sociedade a sermos produtivos, a sermos bem informados, a sermos bem relacionados. Falta tempo para tantas “tarefas”. E, nessa correria, na minha opinião, as pessoas acabam deixando de cuidar do outro, com gestos e palavras no dia a dia mesmo.

Por isso acho importante a escrita afetiva ou afetuosa, para falarmos àqueles que são importantes sobre o que representam para nós. A mensagem é uma forma de tentar ‘compensar’ essa falta de demonstração de carinho diária imposta pela lógica da rapidez que permeia nossa rotina.

A escrita afetuosa não é uma escrita somente sobre sentimentos ou histórias de vida. Mas também é uma escrita para emocionar, para afetar (o que recebe e o que escreve a carta). Emocionar é tocar profundamente.

As pessoas que já ajudei a escrever seus textos, normalmente, são pessoas mais sensíveis, que acreditam no poder que mensagens sinceras têm. O que percebo é que as pessoas sabem o que sentem, mas não percebem como aquilo foi construído, o que aquilo proporcionou de mudanças. Esse exercício de reflexão, de olhar mais para dentro, de pensar com carinho na sua história, é que permite estabelecer uma conexão maior com aquele para o qual se destina a carta. Se pensarmos bem, os sentimentos são iguais para todos, falando a grosso modo. O amor de um marido por uma mulher, a amizade entre dois amigos, a saudade de alguém, as desculpas do arrependido. O que torna eles diferentes são as histórias particulares, é dizer porque e como eles foram construídos. E isso exige um exercício de reflexão.

Você acredita que a comunicação digital e em especial as redes sociais nos tornaram mais superficiais e com maior dificuldade de expressar uma emoção para além de um emoticon?

Sem dúvida alguma. As mídias sociais, na minha avaliação, de maneira geral, são um convite à superficialidade por alguns motivos. O primeiro é que por ali se prolifera a imagem de “vida perfeita”, “vida feliz”. Mas nossas vidas não são perfeitas e nem todos os dias são felizes. Logo, não consigo passar mensagens afetivas ao querer mascarar uma realidade. Às vezes precisamos falar de sentimentos e vivências ruins para falar de amor e de situações felizes.

Emoções e emoticons

Outro ponto muito bem lembrado por você é a questão dos emoticons. Eles, assim como a repetição de letras, como eu chamo os “amoooooo”, “adooooroooo”, “te amo muuuuiiitooo”, cumprem seu papel, mas ficam no raso da comunicação.

Acho muito interessante, por exemplo, o Facebook, que me diz o seguinte todos os dias “Veja quem está de aniversário. Diga que você lembrou deles”. Ora, se o Facebook está me avisando, não fui eu quem lembrou. Como se não bastasse, os aniversariantes, depois das centenas de mensagens (que ficam, em sua maioria, na linha do “parabéns/tudo de bom/muitas felicidades”), ainda dizem “obrigada aos que lembraram”.

Acho válido os cumprimentos protocolares e os votos padrões, principalmente vindo daqueles que são apenas conhecidos nossos. Todos ficamos felizes quando recebemos saudações. Mas o que me deixaria triste é receber mensagens de pessoas que dividem a vida comigo, de maneira mais ou menos pessoal, só terem mensagens-padrão para mim em um dia especial como o aniversário.

Algo muito interessante aconteceu no ano passado, no meu aniversário. Meu Facebook não permitia que as pessoas publicassem na linha do tempo. Com isso, quem quis me parabenizar teve que mandar mensagem “inbox”. Além de terem sido em número bem menor ao que eu receberia, as pessoas que se propuseram a escrever, mandaram mensagens mais afetivas, com mais detalhes e carinho. Também acho que a privacidade nos permite sermos mais autênticos.

Após concluir a elaboração da carta com uma pessoa, como ela se sente? Eles se surpreendem?

Tenho percebido que durante o bate-papo ainda, quando estamos buscando as informações para escrever o texto, as pessoas acabam pensando sobre a pessoa ou sobre alguma situação sob diferentes aspectos. As perguntas ajudam as pessoas a lembrar, mas também a ver o fato sob um aspecto diferente.

Ao relembrar situações, eles não só as revivem como, em algumas vezes, as reconfiguram. Após esse momento, quando enviamos o texto, as pessoas, em geral, ficam muito felizes em verem os sentimentos traduzidos. Costumo dizer que não sou eu quem escreve o texto. Eu apenas facilito o processo, instigando a pessoa a falar sobre o que sente e sobre sua história e organizando todas as ideias em forma de um texto que traduza exatamente o que quer ser dito.

E após entregar a carta ao ente querido, qual tem sido o retorno das pessoas?

Daqueles que nos retornam sobre a entrega, tem sido realmente encantador. Em um dos mais recentes trabalhos, ajudamos um neto a escrever uma carta, que foi lida durante o jantar de 65 anos de casamento. A emoção tomou conta de todos os filhos e netos e até do avô, um daqueles senhores fechados e frios. É por momentos assim que acredito no projeto “Com amor,”: todas as pessoas precisam saber que são amadas, que são importantes, que inspiraram alguém.

É preciso dizer o que sentimos, pois as declarações verdadeiras e conscientes transformam vidas, tanto de quem as diz como daqueles que as recebem.

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